EUA fecham acordo para controlar segurança da Groenlândia: o que está por trás disso e quais os interesses?

  • 19/09/2026
(Foto: Reprodução)
Donald Trump anuncia acordo de defesa com a Groenlândia O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta sexta-feira (18) que os norte-americanos serão responsáveis pelo controle da segurança da Groenlândia "para sempre". Um acordo sobre o tema deve ser assinado com a Dinamarca na próxima semana. ✅ Siga o canal de notícias internacionais do g1 no WhatsApp O tratado representa uma conquista importante para Trump, que há muito tempo defende a anexação da ilha pelos EUA. Nos últimos meses, ele fez diversas declarações sobre o território — que pertence à Dinamarca, mas tem governo autônomo e discute a possibilidade de independência. Segundo o presidente norte-americano, a Groenlândia tem um papel estratégico para a segurança dos EUA e de outros países. "Precisamos da Groenlândia para a segurança internacional. Precisamos dela", afirmou em uma entrevista em dezembro de 2025. "Odeio colocar dessa forma, mas temos que ficar com ela." Trump também chegou a dizer que poderia usar a força para conquistar a Groenlândia e ameaçou aplicar tarifas contra a União Europeia caso o território não fosse cedido aos EUA. À época, autoridades da ilha e da Dinamarca afirmavam que o território não estava à venda. O tom mudou no início deste ano, quando começaram as conversas entre Dinamarca, Groenlândia e Estados Unidos. A negociação foi baseada em um tratado de segurança no Ártico. Mas há mais por trás desse acordo. Nesta reportagem você vai ver: Histórico da Groenlândia O que Trump quer? O que a China tem a ver com isso? O que se sabe sobre o acordo? Groenlândia pode se tornar parte dos EUA? 1. Histórico da Groenlândia A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, e o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, visitam Qoornoq em 6 de setembro de 2026 Mads Claus Rasmussen/REUTERS Coberta em 80% por gelo e com 57 mil habitantes, a Groenlândia é a maior ilha do mundo e possui hidrocarbonetos e minerais importantes para a transição energética. O território está geograficamente localizado na América do Norte, mas mantém fortes relações com a Dinamarca. A ilha, que já foi uma colônia dinamarquesa, passou a fazer parte do Reino da Dinamarca em 1953 e, até hoje, segue a Constituição dinamarquesa. Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a ter um governo próprio e autônomo, permitindo até mesmo uma declaração de independência por meio de referendo. Trump não foi o primeiro presidente dos Estados Unidos a tentar adquirir a ilha. Após o fim da Segunda Guerra Mundial, Harry Truman tentou comprá-la, oferecendo US$ 100 milhões em ouro. O objetivo era garantir um território estratégico para enfrentar as ameaças da Guerra Fria. A proposta de Truman foi rejeitada, mas, no início da década de 1950, os Estados Unidos conseguiram instalar uma base militar na ilha com a autorização da Dinamarca. Volte ao índice. Groenlândia g1 2. O que Trump quer? Durante seu primeiro mandato como presidente, Trump afirmou que faria uma oferta para comprar a Groenlândia. Na época, as autoridades da ilha responderam que o território não estava à venda. Em janeiro de 2025, Trump voltou a investir contra a Groenlândia. Ele argumenta que a ilha poderia servir como uma plataforma estratégica para monitorar ameaças vindas da Rússia e da Europa. A presença de radares e bases militares fortaleceria o sistema de defesa americano. Além disso, radares instalados na região ajudariam a identificar navios e submarinos, principalmente russos, monitorando as águas entre a Islândia, a Grã-Bretanha e a própria Groenlândia. E essa posição estratégica não vem de hoje. Durante a Guerra Fria, russos e americanos mantiveram armas nucleares e submarinos no Ártico. Além do fatos militar, a ilha também é rica em minerais, petróleo e gás natural. No entanto, a extração de minerais enfrenta forte oposição de povos indígenas e restrições burocráticas do governo. Já a exploração de petróleo e gás natural é proibida por questões ambientais. Volte ao índice. 3. O que a China tem a ver com isso? Navio de guerra da Otan navega durante treinamento militar no Ártico em janeiro de 2025. Divulgação/Otan Outro fator que aumenta a importância estratégica da região é o aquecimento do Ártico. O derretimento do gelo tende a ampliar a importância de portos e pode abrir novas rotas de navegação, mudando a dinâmica do comércio internacional. Nesse contexto entra a China, que também tem interesse no Ártico. Uma nova rota marítima pela região poderia reduzir a distância percorrida por navios chineses em comparação com rotas tradicionais, além de passar ao lado da Rússia, uma das principais parceiras de Pequim. Embora esteja distante cerca de 2 mil quilômetros do Ártico, a China investe na construção de navios quebra-gelo. O país também é o maior produtor mundial de carros elétricos e turbinas eólicas, setores que dependem de minerais considerados estratégicos. Os Estados Unidos querem evitar que os chineses avancem na região. Volte ao índice. 4. O que se sabe sobre o acordo? Donald Trump, presidente dos EUA, em foto de 13 de setembro de 2026 AP/Julia Demaree Nikhinson Em uma publicação na rede social Truth Social, Trump afirmou que o acordo garante aos norte-americanos a capacidade de "para sempre" fazer o que for necessário para proteger a Groenlândia e os próprios EUA. Segundo o presidente, o acordo fechado determina que nenhum adversário dos EUA poderá manter uma base ou presença militar na Groenlândia, nem fazer investimentos considerados sensíveis no território, sem autorização do governo americano. "Começaremos imediatamente o processo de desenvolvimento de uma grande presença militar na parte apropriada da Groenlândia, que possui muitas dessas áreas", afirmou. Dinamarca e Groenlândia elogiaram o acordo. O governo dinamarquês afirmou que o tratado reconhece a soberania do território, ao mesmo tempo que amplia a segurança na região. Segundo a primeira-ministra do país, Mette Frederiksen, o tratado vai fortalecer a segurança no Ártico e no Atlântico Norte. "É um acordo que fortalece nossa segurança comum no Ártico e na região do Atlântico Norte e, portanto, também é bom para a Otan e para a Europa", afirmou. "O acordo ao mesmo tempo reconhece a soberania e a integridade territorial do Reino e o direito do povo groenlandês à autodeterminação." Já o primeiro-ministro da Groenlândia, Jens-Frederik Nielsen, disse que o acordo com os EUA respeita e reconhece os interesses da Groenlândia. Segundo ele, a iniciativa será benéfica a "todos". As partes ainda não revelaram detalhes sobre o texto do acordo, e o documento deve ser assinado na próxima semana, durante a Assembleia Geral da ONU. Volte ao índice. 5. Groenlândia pode se tornar parte dos EUA? Donald Trump Jr. chegou há poucos dias a Nuuk, na Groenlândia Emil Stach/Ritzau Scanpix/via REUTERS Em 2009, a Dinamarca autorizou a Groenlândia a formar um governo próprio e autônomo, abrindo a possibilidade de uma declaração de independência por meio de referendo. Com isso, na teoria, os habitantes da Groenlândia poderiam votar pela independência da ilha e, posteriormente, decidir se querem uma associação com os Estados Unidos. Na prática, porém, especialistas consideram essa hipótese pouco provável. Uma pesquisa feita no país, no fim do ano passado, indicou que apenas 6% da população apoia a incorporação aos Estados Unidos. Volte ao índice. VÍDEOS: mais assistidos do g1

FONTE: https://g1.globo.com/mundo/noticia/2026/09/19/eua-fecham-acordo-para-controlar-seguranca-da-groenlandia-o-que-esta-por-tras-disso-e-quais-os-interesses.ghtml


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